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NEGÓCIOS

Tem dois tipos de varejo agora: o que cresce sozinho e o que espera o juro cair

O BTG separou as empresas em dois grupos e calculou a correlação entre vender e ter crédito disponível. Deu 0,97.

O BTG Pactual dividiu o varejo brasileiro em dois grupos, e a divisão não é por setor nem por tamanho. É por quem depende da economia melhorar.

De um lado, as que o banco considera capazes de crescer mesmo sem retomada ampla do consumo: RD Saúde, Smart Fit e Panvel. Do outro, as mais presas ao ciclo, com avaliação de mercado deprimida e, por isso mesmo, mais espaço de alta se o juro ceder: Assaí, Magazine Luiza, C&A e Renner.

O número que explica a divisão

Segundo o Mercado&Consumo, o banco calcula uma correlação de 0,97 entre as vendas nominais do comércio e a originação de crédito. Em termos simples: quando o crédito aparece, a venda aparece junto, quase na mesma proporção.

É por isso que o crédito é tratado como a variável central para 2027, e não a renda.

O que o banco projeta para o trimestre

A Exame detalhou as projeções do BTG para o terceiro trimestre, e elas mostram a distância entre os dois grupos. Smart Fit com receita 25% maior e Ebitda 27% maior na comparação anual. RD Saúde com vendas 16% acima e alta de 10% nas mesmas lojas. Panvel com 14% nas mesmas lojas.

No outro grupo, a conta é bem diferente. Renner com receita de varejo 1% maior e vendas mesmas lojas praticamente estáveis, com margem Ebitda em torno de 10%, cerca de 80 pontos-base abaixo. C&A com receita de vestuário 3,5% maior, 1% nas mesmas lojas e margem Ebitda cerca de 170 pontos-base menor. Assaí com 0,5% nas mesmas lojas. Magazine Luiza com GMV online 9% menor.

Para o setor, excluindo o Mercado Livre, a projeção é de receita 4% maior. São estimativas do banco, não resultado divulgado pelas empresas.

A bolsa subiu, o lucro não

O NeoFeed informa que, depois do primeiro turno das eleições, o setor acumulou alta de cerca de 12% em duas semanas, com o Magazine Luiza subindo cerca de 58%.

E registra a avaliação do próprio BTG de que essa primeira etapa da alta veio quase toda de expansão de múltiplos, não de revisão de lucros. O banco associa o movimento a uma queda de 100 a 150 pontos-base no custo de capital, e estima que, na média do setor, cada 100 pontos-base equivalem a cerca de 14% no preço da ação.

O paradoxo que pode vir em 2027

O NeoFeed descreve dois caminhos para a queda de juros. Num deles, ela vem com credibilidade fiscal e estimula consumo, e aí Magazine Luiza, Assaí, Grupo Mateus, C&A e Renner são as mais beneficiadas.

No outro, o juro cai porque a atividade desacelerou. Nesse cenário, o varejo economiza em despesa financeira e ao mesmo tempo tem dificuldade de vender. O banco aponta Smart Fit e Raia Drogasil como as mais bem posicionadas para um período longo de consumo fraco.

Os bancos não concordam entre si, e vale registrar. Segundo o BP Money, o Bradesco BBI aponta a Smart Fit como preferida do setor, enquanto a XP mantém recomendação de compra para Renner, C&A e Riachuelo, com preços-alvo de R$ 18, R$ 17 e R$ 14, por considerar as ações negociadas abaixo dos múltiplos históricos.

FONTES

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