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Bangladesh parou de costurar, e a mesa que vai refazer o piso se reúne nesta quarta

Cerca de 690 fábricas de roupa pararam a produção na segunda-feira, no terceiro dia de protesto por salário. Quem costura em Bangladesh ganha 12.500 takas por mês, cerca de R$ 550, e pede 30.000, cerca de R$ 1.320. A mesa salarial formada pelo governo se reúne nesta quarta-feira.

Cerca de 690 fábricas de roupa de Bangladesh pararam a produção na segunda-feira, no terceiro dia de protesto por um piso de 30.000 takas por mês, a moeda do país, segundo a contagem da indústria publicada pelo jornal bengali The Business Standard. São fábricas que empregam perto de 1,7 milhão de pessoas.

O governo formou no domingo uma mesa salarial para refazer o piso do setor, e a primeira reunião está marcada para esta quarta-feira, segundo o The Business Standard.

O tamanho da parada

O protesto começou no sábado e foi crescendo. A Al Jazeera, rede de notícias do Catar, registrou cerca de 500 fábricas fechadas nos dois primeiros dias. Na segunda-feira, a conta chegou a 670 fábricas associadas à BGMEA, a associação dos fabricantes e exportadores de roupa do país, segundo o vice-presidente da entidade, Mijanur Rahman, ao The Business Standard. A BBC, emissora pública britânica, publicou número parecido.

A parada se concentrou em Gazipur, Mymensingh, Ashulia, Zirabo, Mirpur e Narayanganj. Na terça-feira, mais de 300 fábricas nessas regiões decretaram feriado e cerca de 695 mil pessoas deixaram o trabalho, segundo dados da BGMEA publicados pelo The Business Standard.

Parte dessas fábricas fechou sem greve: o dono preferiu parar por medo de depredação, e o governo reforçou o policiamento nas áreas industriais, segundo o The Business Standard. A conta de fábrica parada é maior que a conta de fábrica em greve.

A mesa que vai decidir o piso

A mesa tem seis integrantes e foi formada no domingo. A primeira reunião ficou marcada para as 11h desta quarta-feira, e não para as 15h como estava antes, no escritório da mesa salarial em Segunbagicha, em Daca, segundo comunicado do Ministério do Trabalho publicado pelo jornal The Daily Star. Dias antes dessa reunião, o presidente da mesa pediu demissão por motivo pessoal, e o governo nomeou um substituto por publicação oficial, segundo Babul Akhter, secretário-geral da Federação dos Trabalhadores do Vestuário e da Indústria de Bangladesh e representante dos trabalhadores na mesa, ao The Business Standard.

Akhter pediu que o pessoal volte ao trabalho e avisou que o protesto pode voltar, segundo o The Business Standard. Os representantes dos trabalhadores na mesa dizem que vão trabalhar para que o novo piso seja anunciado até dezembro.

Akhter diz que Bangladesh tem "um dos salários mais baixos do mundo" no setor de roupa, segundo a Al Jazeera, e defende que, se o dono da fábrica não consegue pagar, negocie preço melhor com o comprador internacional.

Mahmud Hasan Khan, presidente da BGMEA, disse que o governo já deu o passo de formar a mesa, segundo a Al Jazeera, e avisou que, se o protesto seguisse na segunda-feira, a indústria não teria opção a não ser aplicar a regra de não pagar pelos dias parados. Os donos citam custo maior, incerteza no preço da energia por causa da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã e demanda mais fraca em alguns mercados de exportação.

Na noite de terça-feira, os donos recuaram do plano de fechar as fábricas por tempo indeterminado e combinaram manter tudo aberto na quarta, a pedido do governo, segundo o The Business Standard. Se a violência continuar ou o pessoal não voltar, cada dono decide sozinho se fecha. O primeiro-ministro, Tarique Rahman, reuniu ministros e assessores de emergência, segundo a Al Jazeera.

O governo também trata o caso como questão de segurança, e isso pesa no ritmo da mesa: o ministro do Interior, Salahuddin Ahmed, atribuiu parte da violência a grupos ligados à Awami League, partido banido no país, e a BBC registra que as autoridades culpam o partido sem apresentar provas.

O que já chegou nos pedidos

Bangladesh é um dos maiores exportadores de roupa do mundo. O setor gera perto de US$ 40 bilhões por ano, emprega cerca de 4 milhões de pessoas e responde por perto de 10% da economia do país, segundo a BBC, que cita H&M, Primark e Uniqlo entre as marcas que produzem lá.

A parada caiu no pico da temporada de pedidos, e os compradores internacionais estão acompanhando de perto, segundo o The Business Standard. O efeito já aparece no pedido: o empresário do setor Shovon Islam disse ao jornal que alguns compradores estão fechando pedido até 20% abaixo do que tinham sinalizado, e um executivo do escritório de uma marca europeia em Daca disse que vai reduzir o pedido dos próximos dois meses.

A Al Jazeera lembra que o país disputa encomenda com Vietnã, Camboja e Índia.

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