A Puig pagou € 1,2 bilhão por uma empresa que lucra € 57 milhões
A conta dá mais de vinte anos de lucro atual. O mercado reagiu mal, e a história por trás da compra explica a pressa.

A Puig fechou em 14 de setembro a compra dos 50% da ISDIN que pertenciam à família Esteve, por € 1,2 bilhão. Com isso, passa a deter 100% da marca de dermocosméticos.
O pagamento é dividido: € 900 milhões à vista no fechamento e € 300 milhões, sem juros, no primeiro trimestre de 2029. A conclusão está prevista para até o fim do primeiro trimestre de 2027, sujeita a aprovação regulatória, e até lá a ISDIN mantém a governança atual.
O múltiplo que incomodou o mercado
O lucro líquido da ISDIN em 2025 foi de € 56,7 milhões, uma queda de 14% sobre o ano anterior, segundo levantamento citado pela imprensa financeira. Pelos 100% da empresa, o preço implícito passa de vinte vezes o lucro atual, numa marca que está encolhendo em resultado.
A reação foi direta: a ação da Puig ficou entre as piores do índice espanhol, e corretoras apontaram o preço como caro. A operação é financiada com recursos próprios e dívida.
O que veio antes
A ISDIN nasceu por volta de 1975 como uma sociedade entre as famílias Puig e Esteve. O acordo dissolve essa sociedade depois de cinco décadas.
E tem um contexto que ajuda a entender a pressa: a compra vem depois da fusão frustrada entre a Puig e a americana Estée Lauder, que não saiu por desacordo de valor.
FONTES
- FashionUnited, 15 de setembro de 2026.
- Modaes, 15 de setembro de 2026.
- Il Sole 24 Ore, 16 de setembro de 2026.
- Luxury Tribune, 15 de setembro de 2026.


