O Mercado Livre pôs o próprio farmacêutico pra analisar a receita
Vender por marketplace está liberado desde agosto. A notificação da Anvisa mira outra coisa: o farmacêutico da plataforma avaliando a prescrição.

O Mercado Livre anunciou que passará a vender medicamentos que exigem retenção de receita, incluindo antibióticos e as canetas GLP-1. Pelo modelo descrito, a receita é enviada na própria plataforma e analisada por um farmacêutico da empresa antes da compra.
A reação foi imediata. Segundo o Brazil Journal, a RD Saúde fechou em queda de 5,5% depois de chegar a 8,5% no dia, a Pague Menos recuou 7,7% tendo negociado perto de 11% negativa, e a Panvel caiu cerca de 6%. Entre 23 de setembro e a quinta-feira seguinte, as três perderam juntas R$ 1,6 bilhão em valor de mercado.
Vender por marketplace já estava liberado
Em 6 de agosto, a Anvisa revogou a proibição que vigorava desde 2022 e autorizou a venda de medicamentos em plataformas digitais. A base é a Lei 15.357, sancionada em março, que permitiu a estabelecimentos farmacêuticos usarem plataformas de e-commerce.
A liberação tem limites claros: quem vende precisa ser farmácia ou drogaria com licença sanitária, autorização de funcionamento e farmacêutico responsável. A plataforma entra como intermediário tecnológico e logístico, e a responsabilidade pela procedência, pela dispensação e pela análise da receita continua com o vendedor.
Então o que a Anvisa foi notificar
A agência notificou o Mercado Livre por venda online de medicamentos com receita, depois de um pedido de esclarecimento da Abrafarma.
Repare onde está o atrito. Não é a venda pela plataforma, que já é permitida. É o desenho: se quem analisa a receita é um farmacêutico da própria plataforma, a plataforma deixa de ser intermediária e começa a exercer o papel que a regra reservou à farmácia licenciada.
Vale lembrar também que a venda direta da indústria ao consumidor segue sem autorização geral, e que medicamentos de controle especial continuam com exigências próprias.
FONTES
- Brazil Journal, 24 de setembro de 2026.
- Bloomberg Línea, 26 de setembro de 2026.
- Mercado&Consumo, 7 de agosto de 2026.
- ICTQ, 7 de agosto de 2026.
- Economic News Brasil, 3 de outubro de 2026.


